Leituras

sábado, 30 de outubro de 2010

Condomínios Fechados, Corações Idem

A miséria toma conta do mundo lá fora

Mas nós aqui dentro não precisamos nos preocupar

Temos tudo aqui: supermercado, cinema, praças, restaurante, áreas de lazer e diversão

Nossos parentes, podemos vê-los sempre, pela webcam

A internet aqui é a solução para encontrarmos aquilo que não podemos alcançar

Se estamos presos? Não, não. Nós apenas vivemos em menos espaço e com muito mais artificialidade, nada de muito diferente

Só não conseguimos dormir em paz; temos medo que os miseráveis que estão lá fora tentem invadir o nosso mundo aqui dentro...

... Por um pedaço de pão

Ou por um simples trocado

Fábio Melo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cada um na sua Loucura


Cada um na sua
Considere o que quiser
Se chamas de loucura
Louco tu também és

Tu curte o teu vício
Considerado legal ou ilícito
Não aponte para mim
Não sou o único aqui

Cada um na sua
Em casa ou na rua
Rezando
Ou viajando pra Lua

Sem verdades absolutas
Absolutamente, cada um tem sua verdade
Cada um na sua
Inteiro, metade

Seja lá em que for
Cada um na sua
Seja aqui ou na rua
Jovem ou senhor

Seja onde ou aonde for
Mendigo, doutor
Na terra, em Marte, numa esquina, numa rua escura
Cada um na sua loucura


Fábio Melo

sábado, 9 de outubro de 2010

Muro









Daqui deste lado

É tudo tão mais complicado

Daqui deste lado

É tudo tão mais escuro

Do outro lado só sorrisos

Aqui é tudo tão apertado

Nem vemos do outro lado

Cercados por este muro

Daqui é tudo sem graça

Do outro lado só festa

Deste lado estamos presos

Vivemos só o que não presta

Do outro lado gargalham

Daqui a gente só ouve

Ficamos presos, sem futuro

Daqui deste lado do muro

Já tentamos derrubar

Já tentamos mudar

(Quem sabe?)

Deste lado do muro

Cerceiam nossa liberdade

Sufocam nossa vontade

Com suas leis, do outro lado

Esquecem, maldizem, aumentam

Nos privando de tudo

E apenas o que nos separa

É um muro


Fábio Melo

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ode ao Homem do Mangue


Recife tem cheiro de sangue e suor
Daqueles guerreiros que se criaram sós
Nasceram da lama, dela construíram castelos
Dela crescem e sobrevivem, meninos, homens e velhos

Liberdade é palavra difícil de se ouvir
Pra quem existe no mangue e não pensa em desistir
Palavras mais conhecidas são fome e labuta
Resumem suas vidas em uma palavra: Luta!

Alimentam a esperança com a carne do caranguejo
Renovam a sobrevida, alimentando o desejo
Na carne do homem da lama, quase sem carne,
O esteriótipo avesso da cidade

Sob o sol forte e o fervor do mormaço
Os pés descalços, como que com botas de aço
Não emitem um só gemido, ou grito de socorro
Caminham sobre a lama, dentro dela, como se pisassem ouro


Fábio Melo